Sábado, Abril 30, 2005

Truísmo

Minha mãe está aqui me assombrando com uma porcaria de celular Motorola, e então surge esse folder da Vivo com modelos de aparelho.

E há este celular, cujas capacidades incluem "filmar imagens".

Expressionante!

Terça-feira, Abril 26, 2005

Segunda-feira, Abril 25, 2005

Crônica: A Foto e Ela

Nos Tempos de Além, dormi abraçado à foto dela. Havíamos dançado juntos na Festa, agora corpo contra corpo, agora braço com braço, mãos segurando mãos, ela sempre sorrindo, eu sempre ao lado dela... Na medida do possível, de acordo com a Dança.

Só duas pessoas neste munndo souberam que dormi abraçado àquela foto; duas mulheres, como não podia deixar de ser. Elas estão por toda parte; minha família, minhas amigas, colegas, conhecidas, transeuntes, e todas as outras, vivendo na minha fantasia.

Naqueles tempos sonhava com Ela, uma que era por todas as outras; ela me contava muitas histórias e eu a ouvia a noite toda. Aprendi a sonhar um resto de sonho pela manhã antes de definitivamente me reduzir à vigília, com todos aqueles corpos se locomovendo e ocupando o espaço.

Dormia agarrado a um travesseiro, braços e pernas trancados naquele macio, sorretado sob cobertas que me contavam a história de um peso sobre o meu corpo... Logo estava sob um céu claro, entre árvores e colinas, esperando que viesse me contar mais coisas sobre o que É, na minha fantasia; e escrevíamos toda noite uma Fantasia nova para nós.

Mas os corpos lentamente tomaram o espaço, tomaram o meu espaço, e o ocuparam, e se locomoveram nele. Com todas as suas formas e nomes, se fizeram importantes, imprescindíveis, mas não sabia o que fazer com eles. Nenhuma história para me contar além das mesmas histórias, desagradáveis; nenhuma história para escrever, além de histórias desagradáveis, sobre mim, sobre outros, às vezes sobre eles mesmos. Corpos tensos; não quis meu corpo, e quase o joguei fora.

Gostava de evitar os corpos; andar por entre os edifícios, sobre os edifícios até, sentado ou deitado no mais alto possível, próximo da lua, buscando a minha Fantasia dia e noite, na medida do possível, de acordo com as regras do Dia. Mas os corpos me atraíram, atraíram meu corpo, e não pude me separar do meu corpo; mas não sabia o que fazer com ele.

Fantasiava com eles, os trazendo para entre as árvores e colinas, sob um céu claro, mas nessa fantasia Ela não estava; estavam outros, estranhos, restritos, sem histórias para contar.

O grito que tremia meu universo não era suficiente para preencher todo o espaço da Fantasia e alcançar meu corpo; este se mantinha impassível, espirituoso até, se locomovendo e ocupando o espaço, se tornando tenso. Viajei com ele buscando desesperadamente encontrar, mas o quê, já me escapava. Encontrei nela o signo de uma ausência, e na Festa, uma Fantasia em que ficávamos juntos pelas regras da Dança, e não mais. A foto que tirei dela; nela me agarrei, mergulhando o mais fundo no sonho; não encontrei ninguém.

Depois deste dia houveram muitas outras, muitas festas e muitas danças; mas cada vez menos Fantasia, e mais fantasias tensas; e dormir se tornou cansativo.




Desde então, houveram muitas. Não exageradamente muitas, nem escassamente muitas; inexpressivamente muitas. Uma vida na dança dos corpos, dos sussurros, das malícias, atrações e repulsões, estratégias e inocências, circulando ao redor de um centro inatingível, invisível, de fato.

Nos inebriamos uns nos corpos dos outros, corpos contra corpos, quadris contra quadris, quadris contra faces; contra o corpo todo, o rosto, as mãos, outro corpo todo; procurando, encontrando, esquecendo, e se perguntando Por quê.

Um corpo em meio a outros corpos; este teve corpos para si, contra os quais dormiu abraçado, sem travesseiro nem cobertas; e não sonhou mais que o sonho dos corpos nas camas vazias.

Locomovendo-se errante pelo espaço, este corpo recebeu impressões mil, que o impressionaram a se mover mais e se impressionar mais, e ao tempo, que passe. E passou.

Mas o passar dos corpos pelo espaço deixava algo, um pó de pirlimpimpim; um pó que se acumulou e coçou e forçou um espirro forte, um coçar dos olhos, uma nova visão, borrada... O que há nessas coisas que elas deixam conosco para trás? O que há ali dentro?

Ia dançar, se mover, apenas, e tão somente; a visão pura do balanço dos corpos como a sensação de liberdade total; apenas corpos, não mais que corpos, o escape de... De?

Vê; lá, onde minha cama está, há um pote, guardado em um canto de uma cômoda; nesse pote guardo o pó em forma de textos que ficam para trás com o passar dos corpos. Pedaços de mulheres que o tempo levou pelos motivos que só o tempo tem.

Hoje encontrei um pedaço perdido em um caderno cheio de tensão, produto final do tempo passando sobre mim; um pedaço esquecido como todos os outros.

Pois não tiro mais fotos; o tempo de mim não tem registro; o corpo só se move e mais nada. Secretamente mantive seguros esses pedaços de mim mesmo, seguros da violência que se abatia sobre páginas de diário, registros da ansiedade do corpo por escrever histórias que ele não conhece mais, registros da ansiedade do corpo, e do inebriar de uns corpos nos outros, e dos sonhos das camas vazias, denovo, e denovo, e denovo.

Abrir esse pequeno Cofre e admirar seus tesouros trás à minha mente a lembrança de um sorriso ao qual tentei me agarrar, em vão, há tanto tempo; o signo de uma presença além do corpo que a envolve, algo que o contato, mãos sobre mãos, braços com braços, trás à mente, preenche o coração.

Uma fagulha de sentido ilumina este espaço de corpos com cores e os diferencia uns dos outros; há algo ali além de uma sofreguidão ansiosa, de um suor; e finalmente o nome daquela que me acompanhou e nunca me abandonou retorna, sua visão, esplêndida, e o som das suas palavras relembrando histórias cheias de significado; minha Fantasia está novamente comigo, para que, da minha fantasia, eu a encontre em um corpo que possa estar contra o meu, como em uma história que ouvi em tempos dos quais não me lembrava mais.

Esboço: As Mulheres São Todas Iguais

[Um presente de desculpas por não ter escrito a crônica da semana a tempo. Ela já está na minha mente, mas ainda não está no meu caderno.]

A cerveja já havia começado a esquentar, mas, a essa altura do campeonato, a diferença era imperceptível. Muito pouco era perceptível, na verdade, àquela hora da madrugada. Apenas algumas coisas fundamentais, como um vocal limpo (coisa de veado), um copo vazio, e uma menina passando perto.

-- Porra, p' quê que o meu copo tá vazio?
-- Ah, vá se fuder, a última garrafa fui eu quem pegou.

Levanta resoluto a realizar a cerimônia da cerveja. Joga a cabeça para trás; o cabelo esvoaça caindo, em toda a sua majestade, para trás. Com passadas longas, alcançou o balcão do bar em tempo de dar duas boas olhadas ao redor, uma para cada lado. Um sorriso de auto-confiança se formou lentamente, a certeza de um Rei entre plebeus.

-- M' dá uma cerveja.
-- Pagamento adiantado, colega.
-- Caralho...

Mete a mão nos bolsos e encontra um maço de notas de um real e moedas. Em um minuto consegue contar a soma necessária e despeja no balcão. O tilintar da pilha de moedas atrai a atenção do sujeito que recolhe aquilo tudo e se vira para a geladeira.

Em mais um movimento com a cabeça, o cabelo esvoaçando, repara na menina encostada no balcão. Mulher true bebe cerveja. O Rei ressurge e com mais um manejo, sem esquecer o esvoaçar dos cabelos, olha para ela, que está impressionada com um cara realmente true: e aí, gostosa.

A menina pega sua garrafa e sai do bar. Um segundo de confusão logo se dissipa, dissipando a majestade junto consigo, deixando uma expressão de raiva por aquela filha da puta poser. Essas filhas da puta são todas iguais.

Ao chegar na mesa interrompe bruscamente seu amigo, que comentava sobre o veado que estava cantando com vocal limpo:

-- Essas filhadaputa são todas iguais.
-- Ahn?
-- Essas vagabundas, cara.
-- O quê que tem?
-- Elas querem é fuder, mermão.
-- É.
-- Querem uma pica grossa no [XXX].
-- É...
-- Se eu pego uma vagabunda dessas eu...

...continuo com um discurso sobre as várias coisas que eu forçaria essa filha da puta a engolir. E enquanto falo bem algo para todos esses manés poser aprenderem o que é um cara true, bebo rápido, a cabeça de um lado para o outro. Não se esqueça do cabelo.

Uma mesa de meninas bem vestidas que estava ao lado de repente se esvazia.

[Lorenzo Llamas is... RENEGADE! Continua até o sol nascer... Comentários sobre o trecho são bem-vindos. A versão integral destina-se a um certo zine...]

Domingo, Abril 24, 2005

Atraso

Perdão. Mas eu estou de porre e com cinco horas de sono em quarenta e oito horas corridas.
O corpo até tem gás para mais tempo em pé, mas não para escrever algo.

Algo que preste, veja bem.

Quarta-feira, Abril 20, 2005

Enquanto isso, na sala de justiça...

...a essa altura do campeonato, meu cérebro já não tem mais gás para continuar a fazer o que estava fazendo.

Não que seja incapaz de fazer qualquer coisa. Mas a mesma coisa. O que é bom, considerando que a última tarefa do dia é Álgebra Linear XI; espaços vetoriais, autovalores, autovetores, e a diagonalizaação de matrizes. Yay!

Aprendi, aqui, que a excessiva troca de contexto entre múltiplas atividades acaba por consumir todo o tempo e energia efetivamente indo de um lado para o outro, de modo que não sobra atividade para as coisas a serem produzidas. Isso me faz aparentemente mais preguiçoso, mas, curiosamente, mais produtivo.

Mas talvez o efeito visível seja resultado de uma convergência de eventos, todos devidamente bizarros, com a exceção do retorno às aulas, que é meramente sacal.

Completando um círculo de 360 graus, expressão esta inversamente tão elegante quanto redundante, hoje no papear da tarde:

-- Festa. :-(
-- Festa? Quando?...
-- Festa!
-- ...Onde?
-- FESTA
-- Vamos fazer uma festa!
-- Oba! Festa na casa...
-- Mas tinha que ser em um lugar como...
-- ...na casa do P.!
-- ...Maricá, onde dá pra fazer a infra...
-- Ih, cara, sabe que lá, só quando [XXX]
-- Pois é. Aqui em casa só rola social. Não rola FESTA
-- Porque mumble mumble mumble...
-- Porque ILUMINAÇÃO + MÚSICA = FESTA
-- ...mumble mumble mumble...

Daí eu voltei a trabalhar, porque tem umas paradas pra fazer.

Outro dia fui lembrado das festas americanas que fazíamos. O glamour era pouco, mas era efetivamente FESTA.

Eu sonho, dia e noite, com o isolamento acústico...

mndfck.org

Em breve chegará um novo integrante da mndfck.org; vem cheio de gás para começarmos um número de projetos ligados à (produção de) literatura.

Stay tuned!

Terça-feira, Abril 19, 2005

Livro: Free Culture

Li este no original em inglês, que, como já propagandeei por aí, recebi como parte do pacote de membro associado da FSF.

O livro é uma discussão sobre como a reação da indústria e do congresso americano ao fenômeno de, digamos, disseminação de cultura permitido pelo surgimento das novas tecnologias da Internet caminha em direção a, efetivamente, aleijar a possibilidade de criação livre de cultura.

O autor, um acadêmico dos direitos autorais, traça um histórico da legislação de direitos de cópia desde a origem da constituição até os dias atuais com exemplos de modificações feitas face à novas tecnologias.

Segue uma discussão sobre os efeitos concretos da legislação atual sobre a população com exemplos das ações judiciais movidas pela RIAA a pessoas comuns. A peça principal, uma discussão do caso Eldred vs. Ashcroft, que se tornou lendário nos círculos onde se discute esse assunto, é a maior e mais interessante nesse sentido.

O livro termina com uma série de sugestões sobre como a legislação poderia lidar com as tecnologias emergentes conciliando os interesses da indústria e o interesse (que a população deveria ter) em se construir uma riqueza cultural livremente acessível.

O autor, Lawrence Lessig, é o homem por trás do Creative Commons, quem defendeu Eric Eldred no caso citado.

Não sei dizer, mas este livro provavelmente está disponível de alguma forma na Internet. Talvez como um e-book daqueles da Adobe.

Segunda-feira, Abril 18, 2005

Sabe...

...na conjuntura atual das emoções, eu só posso dizer uma coisa a quem se comunica comigo: se você odeia alguma coisa, sente muita raiva de alguém, ou entende que algum filho da puta merece morrer... Não me conte.

Eu não quero saber.

...

<him> I don't wan't to leave.
<her> Then don't. Stay here with me. We'll start a jazz band.

:~

Domingo, Abril 17, 2005

Filme: Lost in Translation

Não gosto do nome em português.

Acabei de ver, na casa do G.
Discutimos um pouco sobre a estética do filme e o estilo da narrativa, mas, na verdade, só há uma coisa que eu gostaria mesmo de dizer sobre o filme:

Essa foi a única história de amor que me despertou inveja profunda.

Crônica: George Boole morreu em 1864

Eventualmente voltei a jogar o tarô. É sempre a mesma coisa:

-- Ahhhhh, você joga o tarô?
-- Mais ou menos...
-- Ahhhhh, joga pra meim!
-- Não.
-- Ahhhhh, por quiê?
-- Não gosto de jogar pros outros.
-- Ahhhhh, que vaciiilo...

Um fã pergunta Você não gosta de profanar a Santidade com pedidos supérfluos de profanos? Não, metade não tem interesse no futuro, e metade não sabe realmente o que fazer com o baralho. Metade de mim, bem entendido.

Ora. E não foi uma inspiração superior que o levou a voltar a jogar? Uma inspiração, sim; Hitomi-chan é uma graça, e o tema em volta dela em Vision of Escaflowne me toca o coração. E como ela joga o tarô, eu resolvi jogar também.

No primeiro dia contemplei o ridículo do impulso de lidar novamente com aquilo vindo de um desenho animado. Não é True! Mas tudo deixou de ser True aos 20.

Estávamos na varanda, eu já bêbado.

-- Cara, e os perfis do Orkut? Eu morro de rir com aquilo.
-- Nego escreve um texto de oitenta linhas, não acaba nunca!
-- Fora a revolta básica contra o português...
-- Sabe o que me incomoda mais? Perfis que anunciam Não gosto de gente falsa; algum de vocês conhece alguém que tenha dito Gosto de gente falsa? Eu não. Vou começar o movimento Eu gosto de gente falsa.

Pois gosto mesmo. Gente falsa tem propósito. Não existe mais True. Que porra é essa de True? Ah, você diz que joga tarô por causa de um desenho, você não é True. Você ouve metal porque seus amigos ouvem, você não é True.

De onde diabo virá o impulso original? Alguém acredita mesmo que no meu DNA está escrito que eu vou torcer para o Flamengo?

Vê aquele casal lá do outro lado do oceano de livros e CDs. Estão sentados, em silêncio, olhando pra água, sem dizer nada. Imagino o sujeito sentindo o vazio bater o sino do Está Errado mas dar de ombros (imaginariamente, é claro) dizendo Mas o quê eu poderia dizer? Não estou com vontade de dizer nada em particular...

Pois seja falso. Fale por falar. Ó. É como eu disse. Qualquer coisa serve; já estão olhando um para o outro denovo. Falso? Não romântico? Pragmático? Só para você que está me lendo.

Estou aqui hoje porque vim trazer os DVDs na locadora. Ao sair, me ocorreu trazer papel e pena, já que é caminho.

Meu (outro) fã pergunta Uau, você ia lá sempre, né? Isso é no futuro. Queria ser assim, sabe, freqüentar um café, sentar sempre na mesa número 6, escrever, sabe. Sabe. Pois é fácil, rapaz; é só se associar à locadora de DVDs mais próxima, e faltar umas aulas na faculdade. Iêi!

Porra, achei que nunca fosse conseguir o capuccino. Se bem que é muito cedo para comemorar: o garçom, na melhor tradição falsa, não veio me atender, mas recolher a louça (é uma figura de linguagem, não era realmente louça; como os cadarços, ninguém mais usa cadarço) das duas moças na mesa... ah, na mesa daquele casal do guri que cutucava. Puta que pariu!

Aliás, vê: estou atentando para a caligrafia. Por que está escrevendo com freqüência? Claro que não, esse seria um motivo True; comprei o livro do sihing Leonardo que trata em parte da arte da caligrafia chinesa. Né. Boa, P.

Dizer que um estímulo tal é falso e a atividade impulsionada dali é falsa é como dizer que uma mudança de comportamento é falsa porque foi motivada pelo arrependimento de uma merda. Como se espera que a mudança venha? É insano. Não, queridos, Deus não vai, repentinamente, iluminar vilões como eu; e não seria essa então a mudança mais falsa de todas?

Lá está o casal olhando pro mar outra vez. Seria romântico, se estivessem realmente na praia, ao invés de numa livraria, e houvesse realmente um mar, ao invés de uma metáfora idiota.

Mais um casal. Estou cercado. Esse lugar é cruel. E agora o garçom vem. Filho da puta falso. Não olha pelo ombro assim, querida, o rapaz vai se chatear.

Domingo pela manhã fui abandonado, com uma impressionante coordenação, por todos os sihing e sidai, responsável pela aula de uma jovem do curso introdutório. Após quase duas horas extraindo o máximo das minhas poucas capacidades, começa a sessão de perguntas e respostas.

-- Mas... Então... Eu queria saber... Sabe, saber por quê você começou a treinar?

Na época havia um belo discurso para responder a essa pergunta; mas agora sou o líder do movimento Eu gosto de gente falsa então respondi:

-- Ah, eu? Eu queria aprender a lutar, sabe. Me defender. Por que eu nunca fui muito forte, né, então; e sempre gostei de ARTES MARCIAIS.

Não deixa de ser verdade. Passei o resto do dia meditando sobre essas palavras. Ao invés de zerar Neverwinter Nights. Cheguei à conclusão que meu discurso bonito sobre o verdadeiro eu e a busca interior era uma palhaçada e todos os efeitos concretos que obtive são advindos de ter aprendido a lutar. Braço contra braço.

Comecei a ler Foucault por que "As Palavras e as Coisas" era um título maneiro. Comecei a estudar esquisoterismo porque o dólar era barato e eu importava Hellblazer. Sou Flamengo porque assim o eram meus amigos do primário. Fluminense era a outra turma. Venho à Prefácio porque é uma livraria e isso é cool. Uso uma ankh porque meu nick é Thoth. Escrevo porque quero ser lido. Vou à festa mesmo que convidado por um sorriso amarelo. Te convidaria para a festa só porque te vi passando na rua, e não daria um sorriso amarelo se realmente viesse.

-- Como você pode amar e chamar essas pessoas de amigos?
-- Ué, eles cresceram comigo, são parte da minha vida.
-- Mas eles não te chamam pra sair, e faltaram à festa sem nem avisar!
-- Paciência, ué.
-- Eles não se importam com você!
-- Isso é o que você diz. Além do mais, não foi o contrário disso que eu afirmei.
-- Não entendo você.

Naturalmente. Eu não sou True. Sou False.

Sou Fuzzy!

Sábado, Abril 16, 2005

Pois então...

Olha, o clima lá na Bunker ontem estava bom exatamente como nos velhos tempos em que a gente freqüentava a Aliennation. Com o flyer, a entrada é perfeitamente tragável e até estimula a tomar um drink.

Fiquei feliz de saber que o set list do sujeito não tinha muitas músicas que eu conhecia. Porque, porra, já fazem uns cinco anos que eu não entro naquele lugar, não é possível que ninguém esteja fazendo música nesse mundo.

Mas senti falta de alguns clássicos no fim da noite, o que foi devidamente compensado por uma aparição surpresa de "The Blowers Daughter", uma música que o G. produziu sabe-se lá de onde e eu gostei muito. Acho que é da trilha de algum filme que eu não vi.

Ir à Bunker ontem foi meio que uma conseqüência. G. foi lá na porta pra conhecer J., e eu fui na rabeira.

Vê como as coisas são. Por que eu estava com ele, conversamos, não creio que ele fale sozinho, enfim, falamos, naturalmente, sobre coisas elite, como livros, e aí saltamos no ponto errado e surge a prima e a tia dele na conversa, que moram bem ali, almoço domingo, et al, pô, é ali que tem o sebo onde eu comprei meus pockets, vamos lá.

Resultado: mais uma obra do Bukowski na biblioteca. Dele, bem entendido.

(Tive a maravilhosa oportunidade de tentar um ex-fumante com um Marlboro. MAwhAHwHAwhAhwHAwhAwhAHwHAwhAwhAHWHAwA!)

Pois então, foi assim que eu fui parar na Bunker. Fomos lá conhecer a J., uma guria que se sentiu na liberdade de me sacanear logo nos primeiros vinte minutos. É de se respeitar.

Fora um certo eterno dilema que nunca se resolve e manifestou mais uma instância dentro do lugar, da forma mais curiosa possível, desta vez, a noite foi, digamos... produtiva.

Voltemos à programação normal.

Sexta-feira, Abril 15, 2005

Bunker!

Como nos velhos tempos!

Oh My...

O Príncipe, trilhando seu caminho, encontrou três Magos onde deveria haver apenas Um, e confundiu-se todo. :-/

Terça-feira, Abril 12, 2005

Crônicas...

Para os que se chatearam porque domingo não escrevi nada, não temam: o gás não aproveitado já foi materializado em texto e está só esperando o próximo domingo para ganhar público.

Mindfuck

Seja uma Ideologia uma "séria de assertos semióticos, baseados em pontos de vista anteriores, sejam ou não explicitados, ou na escolha de seleções circunstanciais que atribuem uma dada propriedade a um semema, ao mesmo tempo ignorando ou ocultando outras propriedades contraditórias, que são igualmente predicáveis daquele semema por causa da natureza não linear e contraditória do espaço semântico" formando uma "argumentação que, enquanto escolhe explicitamente uma das possíveis seleções circunstanciais do semema como premissa, não torna explícito o fato de existirem outras premissas contraditórias ou premissas aparentemente complementares que levam a uma conclusão contraditória, ocultando assim a contraditoriedade do espaço semântico" ou que "quando compara duas premissas diferentes, escolhe aquela que não possui marcas contraditórias, ocultando assim, de maneira consciente ou inconsciente, as premissas que poderiam comprometer a linearidade da argumentação".

A Operação Mindfuck tem como objetivo a desestruturação das Ideologias, cuja formação é considerada um "processo de degeneração" dos "subsistemas semânticos" componentes de uma Cultura, através de atitudes que demonstrem "quanto o universo semântico é mais complexo do que as ideologias querem fazer crer".

Uma dessas atitudes toma a forma de atuar-se sobre as circunstâncias em que as mensagens são recebidas de modo a mudar-lhes o conteúdo sem afetar a expressão propriamente dita. A este ataque aos discursos formados se dá o nome de Guerrilha Semiológica, "uma tática da decodificação em que a mensagem, enquanto expressão, não muda, mas o destinatário redescobre a sua liberdade de resposta".

Sim, terminei de ler o Tratado Geral de Semiótica, e este é o meu resumo operacional. Tudo entre aspas é de autoria de Umberto Eco. A definição acima é uma elaboração muito mais sofisticada da já apresentada aos membros da venerável comunidade #wicca nos tempos de então.

Segunda-feira, Abril 11, 2005

Hiato

Este domingo, Horus, o paladino de Heru-Ra-Ha, junto com sua companheira, Sharwyn, lutaram incansavelmente em uma batalha desesperada contra gigantes, dragões, e criaturas anteglaciares abomináveis pela salvação de Neverwinter, e de toda Faêrun.

De modo que não sobrou tempo para crônicas.

Quinta-feira, Abril 07, 2005

Mundo de Fantasia

Não que seja uma neologismo, ou mesmo alguma grande exposição de particular genialidade, mas gostaria de registrar aqui minha mais nova expressão idiossincrática: o "mundo de fantasia".

Por "mundo de fantasia" quero dizer uma noção formada por uma pessoa sobre um certo objeto, suposto existente pela tola cultura ocidental, de maneira totalmente descoordenada do objeto em si, seu comportamento, ou suas propriedades evidentes.

Em suma, uma noção tirada do além, por uma pessoa sem capacidade ou interesse em entrar em contato com a (suposta por nós tolos ocidentais) realidade.

O RJ Tevê alerta: há um Pedro-de-fantasia solto pela cidade, reportado por um certo indivíduo a um número de pessoas.

Se você entrar em contato com esse ser imaginário... não me conte. Já me foi reportado ao menos um caso de sucesso em não me contar sobre o caso. Agradeço penhorado.

Quarta-feira, Abril 06, 2005

Sally's Song

É triste demais...
Mexe comigo, cara.

And does he notice
my feelings for him?
When will he see
how much he means to me...
I think it's not to be...


Nightmare Before Christmas é um dos melhores filmes do Tim Burton, e em geral é uma história divertida, mas a tristeza da Sally é a mais categoricamente cruel:

And will we ever
end up together?
No, I think not...
It's never to become,
for I am not the one...

Terça-feira, Abril 05, 2005

Orkut

Como eu predisse, não muito brilhantemente, o Orkut tem agora versão em português.

Segunda-feira, Abril 04, 2005

Wayback Machine

Porra, só de lembrar já fico melancólico... Mais melancólico.

Domingo, Abril 03, 2005

Crônica

[Wayback machine turn on. It's you!]

Quando ainda era um molecote, teve esse churrasco. Minha primeira vez oficialmente com a barriga na churrasqueira, responsável por toda aquela comida. Estava satisfeito na minha posição, quando a mãe do meu amigo, nossos anfitriões, se aproximou e perguntou E aí, como está o churrasco.

Está ótimo, disse eu, a carne está uma delícia, muito bem temperada.

A mulher olhou pro marido, a saber, o pai do meu amigo, é claro, e aquela expressão nunca mais saiu da minha memória. Temperada? Que é isso, tá no sal grosso. Ela não sabia se ria ou se chorava ou se ficava puta com aquele molecote encostado na churrasqueira como se fosse o rei da parada sem fazer a menor idéia do que estava falando. Ou fazendo.

Obviamente eu entendi perfeitamente o significado daquela cara de boba que ela fez, como só uma criança é capaz de entender.

Cresci para reproduzir aquela cara inúmeras vezes, e fazer todo o esforço possível para nunca mais vê-la zombando de mim denovo.

Me vi, como no espelho, em um molecote com a galera no ponto de ônibus depois de uma tarde de bate-papo no Catete sobre RPG e anime. Bons tempos do IRC.

Naquele dia convidei a minha irmã. Que comédia ver os molecotes, cara.

Mas enfim, estávamos lá no ponto de ônibus, sei lá indo pra onde, falando sobre música, G. estava na época do Garage, papo vai e vem e o sujeito solta Ah, eu gosto de uma monte de coisa, tipo, The Wonders. Ali estava eu, com a minha picanha bem temperada, que delícia! The Wonders não existe, garoto, só tem no filme. Deu pena de ver a expressão dele, mas eu fui solidário. Só não podia deixar passar em branco.

Sei como é querer ser importante. Significativo. Vivemos vidas de merda, constantemente desconsiderados por professores, patrões e até pais. Foda-se, por todos os lados. O sujeito fica perdido já que entre todas as coisas importantes que todo mundo quis ensinar pra ele não sobrou espaço pra aprender sobre o que afinal o deixa numa boa. Daí, você inventa uma merda qualquer. Provavelmente imita qualquer pompa que viu outra pessoa sustentar.

Argh!

Tipo o pessoal esquisotérico. Ali o pandemônio é completo. Qualquer porcaria que dê, com uma aritmética alucinada, digamos, 666, e pronto, tu é O Cara. Grandes merda.



Daí eu vou e bebo. Até ficar bem zonzo e não sobrar mais nada. Tentando encontrar alguma integridade. É uma busca besta mas eu não consigo parar. Estou diminuindo só porque de vez em quando dá vontade de me comunicar. E tal.

Falei com G. outro dia, Porra, a gente precisa conhecer gente com conteúdo, Cara, a impressão que me dá é que está todo mundo morgando, ninguém está mais a fim nem do conteúdo que tem.

Aí eu penso sobre isso e me lembro denovo do tempero, eu aqui, todo importante, escrevendo em uma livraria com um volume do Bukowski em cima da mesa. Por acaso faço idéia sobre o que eu estou escrevendo? Eu não. Mas olha pra esse pessoal dos blogs por aí, escrever é coisa de gente legal.

Boa, P. Muito boa. Você é o cara.
[How are you gentleman.]

Sexta-feira, Abril 01, 2005

Final de mandato

Agora que o mandato da presidência está se aproximando do fim, já tendo passada a sua primeira metade, já comecei a receber uma nova onda de piadas.

Essa circulação de piadas é típica da proximidade de momentos de decisão: como se fosse uma ferramenta de pressão política fazer circular a zombaria.

Mas essas piadas não nascem de um impulso espirituoso; ou melhor, recebi ao menos uma instância que evidencia a malícia da sua origem.

Ontem, recebi uma piada cujo clímax mencionava o presidente sem um dedo, beberrão e tendo aumentado o desemprego.

Aumentado o desemprego!?