Hiato
Sim, eu sei, já há muitos domingos que não escrevo nada, mesmo que apareça alguma coisa durante a semana.
Ainda tenho uma crônica de viagem, mais uns dois ou três contos, e um outro treco que eu acho que eu perdi.
Meu problema é digitar.
...do cansaço dessa vida, e do peso de ter que ser alguém...
Sim, eu sei, já há muitos domingos que não escrevo nada, mesmo que apareça alguma coisa durante a semana.
Ainda tenho uma crônica de viagem, mais uns dois ou três contos, e um outro treco que eu acho que eu perdi.
Meu problema é digitar.
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14:25
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-- Que maneiro, cara; e a Intelectuais S.A. é sem fins lucrativos né!
-- Porra. Claro que não.
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21:37
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"...não é desejo de nenhum de nós ter a nossa energia gasta combatendo problemas políticos. Queremos nos ocupar da nossa própria vida, escrever programas, ou poemas, ou fazer ioga, ou outro esporte.
Do mesmo modo, não é desejo de ninguém ocupar-se de memorizar os eventos da política nacional; já temos problemas demais em memorizar datas de aniversário das pessoas importantes e o compromisso com o colega de faculdade pro fim de semana que vem.
Coloca-se que o povo brasileiro é preguiçoso e desmemoriado como se, com os gregos, pensássemos que todos os que não se interessam por política são idiotas; mas eu acho bastante ingênuo que se acredite que é meta de vida se gastar muita energia com política.
Eu não acredito nisso.
Nenhuma solução virá do mote Vocês devem gastar muita energia com política."
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19:39
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É impressionante, eu sempre soube, mas nunca tinha observado com tanto cuidado.
Eu bocejo mais de uma dezena de vezes todo dia.
Todo santo dia é o mesmo tédio.
Meu corpo simplesmente faz troça da própria vida.
O tempo todo.
Caralho, mas que saco...
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10:50
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Estava sentado em um banco de praça, perto da Câmara Municipal, pitando um Captain Black antes de entrar no shopping Estação.
O chafariz, o som da água corrente, era tranqüilizador.
O velhinho senta-se ao meu lado. Velhinhos de praça, quanto pior a cara de tristeza, maior a minha cara de enfado.
Há esse velhinho desesperado na esquina da Rio Branco com a Carioca; suponho que ali já seja Carioca; enfim, há ali o Banco do Brasil e do outro lado da rua o Avenida Central, vocês sabem. Então, esse velhinho, ele está constantemente desesperado. Quando você passa por ali pela primeira vez sente um aperto no coração (isto, é se você não for eu). Por que ele está desesperado. Genuinamente.
-- Me ajuda por favor, eu tô com fome, me ajuda, por favor, eu estou desesperado...
Ele mexe as mãos unidas para cima e para baixo e se move rápido, corcundo, com os olhos apertados, uma expressão de quem está prestes a explodir em lágrimas.
É realmente tocante. Até o segundo dia. No segundo dia, o velhinho está lá, desesperado. Você vê aquilo e surge o Absurdo. Uma pessoa desesperada por um dia inteiro desmaiaria de exaustão. No terceiro dia que você passa por ali, no quarto, você já está com raiva do velhinho. Por que o que ele está fazendo é estuprar o seu coração.
Mas esse velhinho da praça da Câmara Municipal de Curitiba não estava mais que dando petelecos no meu coração. Eu, convenhamos, sou eu. O meu maço de Captain Black está cheio e mesmo assim pito meu cigarro devagar.
Estava com fones de ouvido apreciando o Amnesiac do Radiohead, o velhinho se remexeu, olhou para o lado, para o meu lado, e reparei em umas sacolinhas de cordões. Fez menção que ia falar alguma coisa mas pareceu horrivelmente desencorajado pelo meu completo desinteresse.
Naturalmente, quando sentei naquele banco havia avaliado todos os perigos em potencial, além de escolher o banco que me desse o melhor ângulo de visão para esta morena, parte integrante da bela paisagem, que eventualmente se revelou uma hippie e conseguiu me vender bijuterias feitas de arame. Ela conseguiria me vender qualquer coisa, e nem tanto por ser morena, mas por ser capaz de uma abordagem direta e simpática.
O velhinho, porém, não tinha nenhuma dessas qualidades. Quando conseguiu abrir a boca timidamente, percebi que suas sacolinhas continham cordões de santos.
-- Boa tarde, er... Você é católico?
Pensei por um instante sobre essa questão. Esbocei minimamente uma reação, o que fez o tal um pouco mais nervoso. Não me preocupei em remover meus fones de ouvido, mas antes que ele tentasse a pergunta novamente, já havia chegado a uma conclusão:
-- Não.
A concha se fechou, como se reagindo a uma forte e poeirenta corrente no mar. Descruzei as pernas para cruzá-las novamente do jeito inverso; mais uma baforada gostosa. Baunilha.
Pensei em como tinha sido escroto... A Nestlé não deveria ter descontinuado o recheado de baunilha, que era muito superior ao de chocolate. Isso foi realmente escroto. E não falemos mais sobre esse nome idiota, Bono.
Infelizmente me dei conta após alguns minutos que o vendedor de cordões de santos católicos ainda estava ali, remexendo nos seus santinhos, cabisbaixo. Seu constrangimento vazava pelos poros do seu corpo astral, tentando comungar com o meu, mas encontrando apenas a muralha de gelo digna de um Sith.
-- Vamos esquecer isso, está bem? Vamos esquecer isso.
Pôs os santinhos de lado. Olhava para baixo. Senti muita pena. Esquecer? Esquecer o quê? Imaginei o pobre religioso desesperado batendo na porta do Marquês de Sado à procura de esmola.
Fiquei com raiva, também. Que existência patética. Pensei que estava sendo intolerante demais com aquela triste condição, mas então me lembrei da hippie que havia me vendido cacarecos de alumínio. Mas você comprou os cacarecos porque ela era morena. Não é verdade. Então porque não compra do velho? Porque são santinhos católicos. Se uma moreninha viesse te vender santinhos católicos você comprava, seu lixo. Pois foda-se você; se uma moreninha católica viesse sentar cabisbaixa do meu lado, eu sentiria o mesmo nojo. Não me venha com esse argumento sexual.
Em meio ao meu grande dilema ético pessoal, surge um murmúrio. Não sei realmente se foi um murmúrio ou uma voz alta apenas o suficiente para se sobrepor aos meus fones.
-- Sabe, é que eu sou muito pobre... Moro na rua há dez anos... Olhe, estou dizendo a verdade.
Entendi que havia sido desafiado em minha falta de solidariedade. Cruzei as mãos por trás da cabeça, me fiz totalmente confortável para apreciar o show de horrores que era a perna do sujeito. Pensei Estamos em Curitiba, meu amigo, procure um posto de saúde.
-- Você não pode...
Atropelei-o.
-- Companheiro, estou percebendo que você tem um comércio aí; tenho certeza que há muitos católicos na cidade que comprarão o seu produto.
-- Mas...
-- Eu, infelizmente, não sou católico, então não estou interessado.
Meu cigarro havia acabado e eu estava mesmo a fim de ir até o shopping; mas não me levantaria dali enquanto não cumprisse minha missão. Sentado, apoiando a cabeça nas mãos, olhando para o infinito, pensando em nada, completamente desinteressado, observei os ombros tensos, as mãos trêmulas se esfregando, os olhos quase em súplica se não estivessem tão voltados para baixo, eu sou a única fonte de renda restante no Universo, um processo penoso até a apoteose de toda aquela ansiedade:
-- Você não pode me ajudar?
Pensei por um instante. Afundei os restos mortais do meu cigarro em um potinho de iogurte estrategicamente largado no banco com uma pilha de lixo dentro. Esta presença tão oportuna, tão sincrônica, me trouxe à resposta:
-- Não.
O velhinho se arrastou para longe. Só me levantei quando terminei de apreciar o pôr do Sol. O céu em Curitiba é lindo.
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23:15
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Estou atrás do "Canto para Minha Morte", do Raul Seixas.
Alguém aí tem?
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15:52
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Estou tentando formar um grupo.
Quero começar algo esse domingo.
Vamos jogar D&D 3E mesmo.
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Olha... Eu não tenho muito mais a dizer que isso:
Knights of the Old Republic deveria ter sido filmado.
A história me consumiu e nos últimos dias não consegui fazer outra coisa (fora trabalhar).
Não vou falar mais porque spoilers seriam inevitáveis.
Acredito que esse jogo mostra que ainda há bastante espaço para se aproveitar no "universo star wars". Imagino que se os americanos conseguissem conter sua ânsia pela eternidade seriados, aprendendo com o formato japonês de anime, maravilhas poderiam ser produzidas para a tevê.
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01:20
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Então, eu, que sou um vagabundo profissional, no que consigo produzir de verdade dando cinco reloads no Orkut por hora, reparo que essa guria começou a aparecer online. Não dá pra não reparar, é claro, porque ela é uma graça, mas peraí. Já faz tempo que você não aparece ali. E eu vejo todo dia. (er.)
Ah, voltou a se interessar pela Internet, né? Mas o lado negro se moveu dentro de mim e pensei Cara... está solteira.
Não resisti e investiguei. Bull's eye. Eu sou um simplista escroto, ou a vida é escrotamente simples? Ó, que dilema.
Recentemente li numa lista de discussão o sujeito declarando como obteve uma Epifania sobre a Vontade, o Caminho, e como estar Livre da Ânsia de Resultado o havia feito entender a maravilha da vida.
Perguntei logo se ela era bonita. Ele ficou revoltinha e falou umas grosserias, mas não respondeu a minha pergunta. Deduzi que ela deve ser feia.
Da última vez que eu fiquei apaixonadinho, eu sumi da Internet? Não lembro. Uma colega de cerveja diz que eu sumi. Da cerveja, digo. Mas não é verdade, eu estava em provas. :-|
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15:02
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Não sei o quê aquela gente faz no 474 a essa hora da noite. Gente de toda espécie, como se estivéssemos todos saindo de casa para trabalhar, gente comum; então estava lá eu voltando de uma noite nada excepcional com um pocket emprestado do Bukowski, o Notas de Um Velho Safado.
Acho estranha toda aquela luz no ônibus, não sei por quê, talvez pela meia luz natural da noite. De qualquer modo, ao atravessar o túnel, me levanto, lendo o pocket por total desinteresse pelos eventos ocorrendo ao redor, quando passo por esse sujeito.
-- Ih, cara, Bukowski!
Penso, Nossa, Bukowski! Bukowski!
-- Cara, esse filme é maneiro! Esse livro é maneiro!
Me volto para o sujeito e percebo que é um sujeito absolutamente normal. Nenhuma marca excepcional, nenhuma roupa fora do padrão, expressão facial, biotipo até.
-- É mesmo, cara, é muito legal.
Dou um sorriso amigável e continuo em direção à porta de saída, meu ponto já está chegando. Salto.
-- Bom gosto o teu, mané!
Gritou pela janela. Faço meu sinal de True, true; uma mistura de hang-loose com outro que não sei que nome tem. O ônibus parte e eu continuo o meu caminho. Está difícil de ler nesse escuro. Desço pelo posto de gasolina, então o início de rua da passagem. Há uma casa ali com música animada tocando.
Me lembro da última vez que dancei com uma mulher. Foi excelente. Houve quem se compadecesse pelo resultado final, mas eu não tive realmente um problema. Dancei. Bastante. Uma dança animada, e acompanhada. Esse lugar estava do outro lado da rua, olhei de onde estava, ainda andando, tentando discernir o nome gravado nas janelas. Não consegui, mas percebi as silhuetas se movendo, e senti uma pontada de inveja. Pensei com meus botões que moça poderia chamar para um pouco daquela diversão, e não me ocorreu ninguém.
Quem sabe esta que está cruzando comigo agora. Um vestido preto, ou alguma composição de topo com uma saia, bonita, mas cabisbaixa, não sei como alguém anda olhando para o chão desta maneira, ou melhor, não lembro como pode ser isto, ao menos me lembro que já fui assim. Dobrei a esquina.
A visão familiar da rua da passagem me perturba. Estou cansado de visões familiares. Hoje morgamos um pouco em casa, rodando as listas de telefones em busca de alguém com quem passar um tempo. A agenda de telefone tem quase cem entradas; nenhuma serviu.
Descendo a rua mais um pouco atravessei a banca de jornal e os bares com um resto de noite, sei lá o que há naquela galeria durante o dia, mas à noite mesas se espalham por aquele trecho largo de calçada, ficam bem cheias, mas às duas da manhã é querer demais, esse é o Rio de Janeiro, todos querem pegar a praia depois de acordar. Reparo nessas duas moças saindo risonhas sei lá de onde, expressão que me ocorre exatamente assim e me faz perceber quão frágil é a memória de eventos tão recentes. Não me ocorreu então que uma delas eu levaria, também, para dançar.
Dançar é uma experiência fascinante, no que o seu corpo se mexe. O corpo é desvalorizado pela nossa cultura, suas realidades motoras, musculares.
-- Esses brinquedos idiotas são os favoritos das crianças.
-- É porque com esse martelinho bobo, o guri pode experimentar os próprios músculos, ele pode descarregar tudo, descobrir o que é fazer a força toda.
-- É, uma espécie de destruição permitida, com isso você pode destruir, mas sem grandes problemas.
Dançar pra mim é tão bom quanto lutar; e só é melhor que lutar porque há uma outra suavidade, uma outra insinuação, uma ansiedade até. Lutar esquenta porque consome calorias; dançar esquenta porque esquenta o sangue. Já dobrei a minha rua. Está escuro demais pra ler.
Acho que leio Bukowski porque quero copiá-lo. Copiar suas crônicas da vida besta de uma pessoa média. Me fascino pela geografia dos centros urbanos, pelos sapatos que as mulheres usam, reclamo das sandálias, admiro os saltos, ouço o que se conversa à minha volta, quando passo aqui lembro que ali mais um pouco é o ponto do churrasquinho que alguns conhecidos freqüentam, penso em como seria aparecer ali semana que vem Ih, você está sumido, Ora, só um pouco, Confesse, esteve namorando, Quem me dera, e mais um blá, blá, blá, nunca mais apareci no churrasquinho, nem sei se ainda é freqüentado, suponho que sim.
Descendo minha rua até a porta do prédio, já não me ocorre nada. Repasso as lembranças imediatas para não as esquecer. Não nasci para cronista. Quando penso em escrever, meu português muda. Não é este. Ó, o que fazer.
Não bebi muito, mas, nesse estado, suponho que mais um pouco de álcool e eu teria acordado em Copacabana. Não gosto muito do 474. Faz ponto final longe demais.
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03:21
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[Editado porque houve um copy 'n paste tosco no diálogo lá embaixo.]
Okay, já que estamos no assunto, então vou pôr esse trecho pra fora logo.
Encontrei o seguinte no Orkut recentemente, em uma tal comunidade:
Nem todos podem fazer parte disto 5/8/2005 04:22
Site especialmente selecionado para aqueles que querem estudar profundamente.
Curiosamente, passei boa parte da minha viagem ao Sul conversando com meus comparsas sobre essa questão.
Meus estudos lingüísticos recentes deslocam o meu raciocínio, a distinções que naturalmente faço entre umas coisas e outras, diretamente sobre as palavras. Observe: "para aqueles que querem estudar profundamente". Está implícito, sem muita sutileza, que há quem queira estudar superficialmente.
Leia mais.
Um grupo muito seleto sobre wicca 5/8/2005 04:20
Encontra-se aqui, mas poucos serão admitidos...
Mais adiante, leremos sobre como existem os "pink wiccans", pessoas que desonram o Sagrado com suas futilidades, e que não seguem a religião de verdade, e tudo o mais.
Foi isso que eu tive para dizer então.
Ah, o eterno vai e vém...
Sabe, a primeira vez que presenciei esse jogo entre os "fake" e os "true" foi em 1998.
A coisa que mais me fascina nos "true" é que, durante o discurso sobre como as massas são orgulhosas, e só querem se sentir especiais e parte de um grupo, acabam formando os grupos de "trues" e ganham um orgulho todo especial.
É ilusão dos "true" que sejam melhores ou mais felizes.
Mas existe aí uma outra questão, que não é sobre os "true", mas sobre o Esotérico, o Místico e/ou o Religioso.
Recentemente soube de um cidadão brasileiro que pôs a si mesmo na Wikipedia, com o codinome esotérico, e quando confrontado com este fato inacreditável retrucou que é preciso um expoente brasileiro na comunidade ocultista internacional.
Conheço "ordens" cujo Primeiro Grau contém justamente tudo aquilo que todas as outras pessoas, além do Cabeça, sabem, sendo que o Segundo Grau contém justamente aquilo que o Cabeça, e mais ninguém, sabe. Ninguém progride para o Segundo Grau.
Disse eu ao Leozão:
-- Leozão, as ordens ocultistas no Brasil têm uma progressão espiritual em três passos: primeiro, aproxima-se da ordem em maravilha; segundo, participa-se ativamente da ordem em orgulho; terceiro, abandona-se a ordem em desgosto. Abandonar a ordem é sempre o próximo passo.
O que constitui tais grupos? Qual é o segredo deste fenômeno de aglomeração? O que, exatamente, querem esses esquisotéricos "true" e porque têm tanta preocupação em bradar a verdade sobre os "pinks"?
Pois the answer, my friends, is blowin' in the wind: se você não têm valor, precisa conseguir de algum modo. Mesmo que seja de um modo desesperado.
Então, eu proponho o seguinte exercício: da próxima vez que uma pessoa mais burrinha e menos esclarecida que você cometer o engano de tentar se relacionar contigo em português, contenha o uso do verbo ser, do advérbio não, e, de um modo geral, faça o menor número humanamente possível de afirmativas sem condicionais.
-- Sempre que nós fazemos sexo e geramos um filho mágico na forma de uma larva astral que sugará o nosso espírito.
-- Mas isso é ridículo.
ERRADO.
-- Sempre que nós fazemos sexo e geramos um filho mágico na forma de uma larva astral que sugará o nosso espírito.
-- Por mais que se possa entender o post coitum, animal triste nesses termos, como você explica aqueles que fazem sexo e se percebem energizados por um longo tempo?
CERTO.
-- Esse é um efeito temporário do orgasmo; a longo prazo, a larva astral sugará a sua alma.
-- Mas isso é ridículo!
ERRADO.
-- Esse é um efeito temporário do orgasmo; a longo prazo, a larva astral sugará a sua alma.
-- Mas se é assim, porque as pessoas comuns não morrem cedo ou ficam loucas de sugamento do espírito? Se, porém, o espírito ser "sugado" não produz efeitos observáveis na saúde física ou mental, qual é o propósito desta teoria?
CERTO.
Aprendam com o Tio Tote, crianças.
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19:39
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Caralho, é impressionante como ainda tem uma porrada de gente-de-Wicca no Brasil. Nem sei mais qual foi o nome que venceu, Wiccan, Wiccaniano, Wiccano, na época eram tantos.
Mais pra frente eu vou contar como foi a celebração de Imbolc que eu vi em Florianópolis. Foi muito interessante. Talvez Daniel escreva antes de mim.
Eu ainda tenho uns três ou quatro trechos escritos pra digitar, mas o combate entre Peter Tahuti e a horda Sith de Darth Malak está tomando boa parte do meu tempo...
Eu sou parte do lado da Luz só mesmo em jogos de computador. ;-)
A propósito: foda-se. É com você mesmo. Você, ali.
Não você, porra. Mas que diabo!
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19:30
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...e quanto mais passa, mais experiências impossíveis você tem.
Ando tendo convivência com uma pessoa que exibe mais arrogância do que eu mesmo.
É uma experiência única ouvir seus comentários súbitos em reação aos dizeres de outrem.
Juro que me vem um sorriso alegre no rosto.
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15:28
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Parte da fantasia de viajar é conhecer pessoas de outra aparência, voz, maneirismos, costumes, culturas.
Do mesmo modo, hospedar uma pessoa de fora é uma experiência única no que sua rotina é totalmente infestada por uma presença que remove as marcas da trivialidade.
Como quando se começa a namorar: os mesmos passeios se tornam glamourosos e místicos.
Vagar por uma cidade desconhecida e observar seus habitantes, ser visto com interesse ou uma expressão de simples não reconhecimento, trás a tona um modo de existência onde tudo merece atenção, nada passa em branco como um tipo de Mesmo; surgem até muitas intuições, e de um modo geral acontece uma introspecção automática proveitosa.
A grandeza deste mundo me trás uma tristeza, pela certeza da impossibilidade de me relacionar com todas as pessoas interessantes que há por aí.
Quando era mais jovem, viajei para um hotel fazenda em Guarapari, Espírito Santo. Lá, fiz dois amigos (ou três, mais uma irmã, de quem mal me lembro). Quando nossas férias terminaram e estávamos prestes a ir embora, a súbita percepção de que não os veria nunca mais na minha vida trouxe uma tristeza tão avassaladora que desatei a chorar feito um desesperado. Aquela foi a última vez que chorei por esse motivo.
Conecer novas pessoas é conhecer novas ansiedades, novas fantasias, onde as vidas dessas pessoas fazem interseção com as nossas. Vontades surgem, e o medo de sua passagem; pois uma viagem de férias é um namoro com data para acabar.
Viajar de mochileiro, vagar sem rumo por uma cidade apenas pela experiência de conhecer um desconhecido, se perder, até, abre as portas para um contato com Outros. Pessoas se sentem curiosamente à vontade para te abordar e contar coisas sobre suas vidas; como se a ausência de Mesmo no seu mundo se propagasse para os espaços delas e transformasse para eles também os dias em experiências fascinantes.
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19:28
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Perdi a pré-estréia.
Quem vai no cinema comigo?
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19:24
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MSN bloqueado na empresa.
Estarei monitorando scraps no Orkut e mensagens de texto no celular para recados.
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23:11
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Pus os pés no Rio de Janeiro às 10h25 no Santos Dumont.
Cheguei em casa às 10h30.
Há bastante o que digitar hoje à noite.
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11:14
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