Quinta-feira, Outubro 19, 2006

Ensinar

Recentemente, em uma inominável lista de discussão, escrevi uma curta crítica à uma mensagem anterior que arrancou alguns elogios de gente que eu respeito.

Segue para apreciação de vocês.

Ninguém quer um aluno imbecil que não saiba nada, que fazem enxurradas de perguntas imbecis (já vi retardado perguntando se RMP bania gripe!) iniciadores procuram pessoas capazes e independentes, ninguém com seriedade quer um bando de incompetentes esdrúxulos e toscos para baterem palmas vazias com palavras e números também vazios por alguém ter escravizado ou vampirizado o mesmo.

Esta atitude, sozinha, provoca o fatal fracasso de qualquer escola desta disciplina.

Esta atitude não se encontra em absolutamente qualquer outro lugar.

  • Crianças não aprendem a ler e escrever em casa para depois serem admitidas numa escola convencional.
  • Pessoas não aprendem a lutar na rua para depois serem admitidas numa escola de artes marciais.
  • Alunos não devem aprender Informática ou Engenharia ou Medicina antes de serem admitidos numa escola dessas coisas.
Este último caso levanta, talvez, o ponto intermediário onde, na minha opinião, o erro surge.

É natural que haja um vestibular antes do ingresso na Universidade -- mesmo que houvessem vagas para todos -- porque a Universidade não é um início completo, é o início de uma certa coisa que se contrói sobre outras que já devem estar terminadas -- a saber, o conteúdo do Ensino Médio.

Da mesma forma que uma escola convencional admite crianças que não sabem nada, nem ler nem escrever -- porém elas devem saber falar, e andar -- o mesmo ocorre com uma escola de artes marciais -- e algumas escolas de artes marciais também requerem que o aluno seja um adulto, corporalmente; tenha altura suficiente.

Porém, estes requisitos são requisitos fundamentais irremediáveis.
Infelizmente, uma escola convencional não têm condições de atender a uma criança que não saiba falar ou andar, e é um problema mecânico para certos sistemas de arte marcial que crianças não estejam aptas, e uma Universidade na atualidade realmente tem como premissa a continuação do estudo.

Mas um professor de absolutamente qualquer dessas coisas que não admita um aluno que faça "perguntas imbecis" é um professor inadequado e o seu futuro fatal é o fracasso no propósito de um professor -- ensinar -- transformar uma pessoa que não sabe em uma pessoa que sabe.

Uma pessoa que já sabe não requer um professor.
Pessoas capazes e independentes não precisam de ajuda.

Ninguém que necessita da ajuda de um método de engrandecimento suportará um professor que se refira a quem quer que seja como "um bando de incompetentes exdrúxulos e toscos".

Esta atitude exibe a imaturidade de um tutor que, por algum motivo, não consegue tolerar o fato de um aluno ser uma coisa incompleta em formação. É a visão de um professor enraivecido porque um aluno insiste em não entender uma fórmula, ou lembrar uma informação, ou ser capaz de bloquear um golpe. É a visão de um professor de artes marciais que ensina enfiando a porrada no aluno e depois dizendo Está vendo, você é um fraco, torne-se forte. É o chapéu de burro do primário primitivo. É sinal de uma fraqueza profunda a intolerância à fraqueza alheia. É ilusão de grandeza que uma tal pessoa rejeite os "fracos" -- porque nenhum forte vai se associar a esse tipo.

Ensinar é constantemente propor as condições suficientes para que o aluno aprenda -- e constantemente sofrer, se é o caso, a falta de visão ou capacidade do aluno em aproveitar as condições -- e continuar com isso em silêncio e paciência até o dia em que ele sofrerá o CLICK.

É bom meditar sobre o significado da palavra Serviço, que a doutrina diz ser o caminho da maestria.

Além disso, apesar de a Terra ser Verde, ela é Verde apenas após fertilizada; antes, ela era Preta, e foi preciso muita água e muito carinho de um Jardineiro.
Talvez você, que gosta de exercícios de disciplina, apreciaria o trabalho literal de cuidar de um jardim -- aquele monte de terra suja, adubo, um longo tempo mexendo e remexendo na sujeira -- até que, após semanas ou meses, surgem as flores.

0 comentários: