Sábado, Agosto 26, 2006

Tereza, Tomas, e o cachorro

[P] "Do caos confuso dessa idéia germina no espírito de Tereza uma idéia blasfematória: o amor que a liga a Karênin [o cachorro] é melhor que o amor entre ela e Tomas."
[P] "Melhor, não maior. Tereza não quer acusar ninguém, nem a si própria, nem a Tomas, não quer afirmar que poderia se amar _mais_."
[G] Você que escreveu?
[P] "Parece-lhe apenas que o casal é criado de forma tal que o amor do homem e da mulher é _a priori_ de uma natureza inferior ao que pode existir (pelo menos na melhor das versões) entre um homem e um cachorro -- essa coisa estranha da história do homem, que o Criador certamente não previu."
[P] Não, Milan Kundera.
[P] "É um amor desinteressado: Tereza não pretende nada de Karênin. Nem mesmo amor ela exige. Nunca precisou fazer as perguntas que atormentam os casais humanos:"
[P] "Será que ele me ama? Será que gosta mais de mim que eu dele? Terá gostado de alguém mais do que de mim?"
[G] É claro que ela não se pergunta isso porque, bem, o cachorro está lá, sabe. E vai estar lá.
[G] O risco dele trocá-la por outra é muito pequeno.
[P] "Todas essas perguntas que interrogam o amor, o avaliam, o investigam, o examinam, será que não ameaçam destruí-lo no próprio embrião?"
[P] "Se somos incapazes de amar, talvez seja porque desejamos ser amados, quer dizer, queremos alguma coisa do outro (o amor), em vez de chegar a ele sem reivindicações, desejando apenas sua simples presença."
[P] São dois parágrafos do Insustentável Leveza.
[G] Excelente.
[G] A filosofia pode ser discutível, mas o cara escreve muito bem.
[P] A narrativa do Kundera é como uma série de reflexões que se desenvolvem na forma de personagens e as situações que vivem.
[P] Ele explicita isso, e às vezes diz: Ora, suponha: um homem está com sua mulher...
[G] Se liga, eu quero ler isso.
[G] Tô indo almoçar, abração e boa viagem, véio.
[P] Até.

Terça-feira, Agosto 22, 2006

Gesso

Tô sem o braço direito.
Quase comprando pilha pro gravador...
Não acredito que vou passar quinze dias sem usar uma caneta. :-(
(Não sei qual é o problema, diz uma voz, essa porcaria está largadas às traças mesmo.)
Ora, foda-se você.

Quinta-feira, Agosto 17, 2006

Viagem

Devo estar em São Paulo no fim de semana de 10 a 13 de Novembro.
Sim, dia 13 é uma segunda-feira.
Vou ao show do New Order. :-)

Gostei de Ler

Clique no link. Boa leitura.

Vida de Escritório

-- Cara, quem largou essa porra aqui?
-- Largou o quê?
-- Três folhas em branco.
-- Que coisa significativa, cara.
-- É. Será que a pessoa pensou, Vou dizer a esse cara o quanto ele vale, e então pôs aqui três folhas em branco. Sabe que, no kung fu, quando você faz um movimento três vezes é como se você estivesse fazendo um número ilimitado de vezes.
-- Sei.
-- Então, aqui estão três folhas em branco, é como se fossem infinitas folhas em branco, eu sou a ilimitada capacidade de expressão que resulta em nada significativo.
-- Que maneira poética de esculachar uma pessoa.
-- É. Vou dar esse mote pra um amigo meu que é poeta, pedir pra ele escrever o Poema de Pedro.

Preciso de Tempo!!1

Não consigo terminar isso de jeito nenhum, e todo tempo que me sobra vai embora tenso por causa da UERJ. ¬¬

Um trecho.

"Eu bocejava em espírito enquanto sorria de leve como se deve sorrir ao ouvir sobre um assunto muito interessante enquanto ela me falava sobre a última exposição -- ou coisa parecida."

"Era importante para mim não sair sozinho naquela noite, por isso havia convidado patrícia para jantar. Em casa, enquanto preparava as coisas da bolsa de couro, pensei em Patrícia ao acertar o meu relógio para não errar o itinerário -- ela tem uma irritante mania com horários. Mas me pareceu sincrônico. Liguei."

" -- Patrícia? Oi, meu bem. O que acha de uma boa massa e vinho tinto? É, o tempo está, não está? Põe aquele vestido vermelho, vou te buscar às 21h."

"Guardei os instrumentos na bolsa de couro. Ouvi Mahler esperando o rádio-taxi chegar. Normalmente eu tomaria um ônibus, mas, como expliquei, essa mulher tinha uma mania com horários."

Acho que está muito enxuto o tempo que ele passa sozinho, meu personagem é um cara absorto, pensei no seguinte enquanto ele espera o rádio-taxi:

"Durante a viagem -- companheiro, vamos para a Primeiro de Março, mas antes passamos na Paissandu esquina com a Praia, okay? -- imaginava a continuação da sinfonia que eu estava ouvindo. O que é um clássico moderno? Como pode ser clássico algo criado praticamente no século 20? Eu detestava a denominação "música erudita", mas não temos mais nomes pra isso, é "música clássica" ou "música erudita". Não me considerava um erudito por ouvir Mahler, ou algum dos Bach, me incomodava admitir em público o quanto eu gosto de Mozart, metade dos olhares satisfeitos em aprovação, metade enfadado como se dissesse "gostar de Mozart tá na cartilha, né", eu não ligo, aprendi a tocar Mozart no piano com a minha avó, que a próxima geração chame isso tudo de "música ultrapassada" e pare de ouvir, não ligo."

Essas discussões mentais são atraentes, mas não consigo achar ridículo depois que está no papel, não sei o que estou fazendo.

Quarta-feira, Agosto 16, 2006

Poesia

[P] FULANA surgiu online no MSN ontem.
[G] Eu sei, até te passou o link da gatinha lá.
[P] Eu havia esquecido que ela estava bloqueada no meu MSN, só desbloqueei ontem.
[G] Ontem foi então o dia de reatar contatos.
[P] Ela foi super amiguinha.
[G] Ela gosta de você, seu escroto.
[P] É, gosta. OUTRA FULANA também gosta.
[G] Gozado você ter dito isso.
[G] Você deu algumas chances a OUTRA FULANA.
[G] Bom, isso não é problema meu.
[P] É na diferença entre o que as pessoas sentem pra si e como elas se comportam que se fodem os poetas.
[P] Ou se fodiam, eu nunca li poetas modernos, só os que estão mortos há muito tempo.
[G] Nunca leu Kerouac, Ginsberg, nada assim?
[G] Ah, mas você lê Bukowski.
[P] Eu leio o cronista, não o poeta.
[G] É a mesma pessoa.
[P] O poema mais moderno que eu li foi o Âmbar Gris do Rubem Fonseca, que com certeza estava tirando uma com a cara de alguém quando publicou aquela merda.
[G] Não conheço.
[P] Quando você estiver lá em casa eu te mostro.

Segunda-feira, Agosto 14, 2006

Vida de Escritório

O sujeito passa aqui do meu lado olhando pra baixo, resmungando, "...porra, só o Eurico mesmo pra ir contra a Microsoft..."

Penso eu: hein? Tiro o headphone e pergunto:

-- Ô [FULANO], que porra é essa?
-- O Eurico Miranda, cara.
-- O quê que tem?
-- Tá processando a Microsoft.
-- Ué... Pelo quê?
-- Porra, malandro, diz ele que estava usando o Windows e de repente surgiu no topo da janela: Sem Título... Aí ele falou: Porra, isso não! O Vasco faz o maior esforço pra Microsoft se apropriar da marca assim?

É rir pra não chorar, né, vascaínos?

Crianças

Nesse domingo senti uma vontade irresistível de descer ao play do prédio para treinar um pouco de kung fu longe de todas as vozes emanadas da televisão -- que por sinal estão criando um asco insuportável ao inglês falado em mim e na minha mãe.

Lá embaixo acabei por impressionar um grupo de meninas de menos de dez anos com aquele monte de movimentos esquisitos e por fim fiz uma penca de pequenos amigos.

As crianças são criaturas muito mais interessantes que os adultos: são simples, tão extremamente simples que chegam a ser desconcertantes.

Eu havia elegido este banco como minha base de operações, guardava ali meu copo d'água, minhas chaves e meu telefone celular enquanto chutava e socava e girava daquele jeito doido. Estava sentado ali descansando quando de repente chegam todas correndo -- estava jogando pique-bola -- e sobem no banco e rapidamente estou soterrado por crianças.

O banco é o "altos" da brincadeira, mas não cabia tanta criança naquele banco comigo sentado ali. Enquanto vinha a menina com a bola na mão eu ri e disse:

-- Assim não vai caber todo mundo aqui no altos, é melhor vocês correrem.

Realmente não cabia, e uma das meninas estava equilibrada em pé na pontinha do banco. Um guri gordinho, meu vizinho, olha pra mim e retruca:

-- Vai caber se você sair daí e for sentar lá no outro banco.

Cara de pau, hein?




Houve uma tarde em que eu fazia as vezes de babá da minha prima-sobrinha Mariana. Eu gosto muito da Mariana por ela ser tão energética; crianças energéticas tem uma relação muito saudável com suas próprias vontades; mas essa relação nem sempre é saudável para nós pobres outras-pessoas.

Depois de dançar e correr e jogar bola e fazer sabe-se lá mais o quê eu joguei a toalha. Claro que, sendo um sujeito sábio, eu joguei a toalha e disse:

-- Estou cansado, não quero mais brincar.

bem antes de realmente estar cansado e não querer mais brincar: é preciso recursos para negociar. Como de se esperar minha prima-sobrinha se revoltou e disse:

-- Não, não, mais um pouco, só mais um pouco, Pedrinho!

e eu tanto teimei que ela fez uma careta maligna e me deu um beliscão sinistro no braço. Enquanto torcia o meu braço dizendo "mais! mais!" eu olhei bem naqueles olhos e disse:

-- Se você acha que me machucar vai resolver o seu problema, é melhor pensar com mais calma.

Ela me deixou um roxo bonito no braço. Mas, quando percebeu que me beliscar não ia me fazer mudar de idéia, recolheu os braços com cara de pobrezinha, olhou pra baixo e disse.

-- Me desculpa, tá? Vamos brincar mais, por favor?

Naturalmente, nós brincamos mais um pouco.

Quarta-feira, Agosto 02, 2006

Quiz

Clica no link do título.

Gaitero, continue tocando!

Encomendei hoje dois CDs da dupla Léo Canhoto & Robertinho.
É isso aí. Cachaça com farinha pra todos. É pra encher a cara, HËN!
Gaitero, toca um negócio aí!