Sábado, Dezembro 30, 2006

Feliz Ano Novo!

Já há alguns anos desde que a época de fim de ano sempre chega muito bem pra mim.
Lentamente, as coisas que se acumulam nos lugares onde eu não conseguia ver estão aparecendo.

Este ano terminou muito bem pra mim.
No fim do ano, posso constatar que estão por perto pessoas que, desta vez, me reencontraram.
Eu sinto que tenho grandes amigos, que eu adoro.

Além disso, este ano eu passei muito mais tempo com as minhas primas (e primo Bolão) que todo o tempo passado junto. Eu estou muito feliz porque elas conversaram bastante comigo e eu pude descobrir coisas sobre suas vidas. E dar presentes de Natal! Os primos velhos e tios já estão acostumados comigo, não preciso dizer nada.

Este ano foi um ano excelente.
As minhas culpas não estão sobrepujando as minhas alegrias.
Eu já não me lembrava mais.
Estou feliz.

Sexta-feira, Dezembro 29, 2006

Recesso de Fim de Ano

Essa é a época da bagunça.
É quase uma questão de honra.
Depois do jantar e almoço familiares tradicionais, passei um dia com os tios e com a prima, fiz um lanche esperto com a galera do treino, tomei uma cerva no Informal e conheci um botequim novo em Botafogo com (excelente porção de frango à passarinho) e hoje à noite estarei no Rio Scenarium.

Já nem me lembro do meu último dia de trabalho -- vantagens de quem vive um tempo que passa devagar.

Domingo, Dezembro 10, 2006

Zangão com Defeito

[2006-12-12: revisão tipográfica.]

Acordei cansado em casa, em posição de múmia sobre a cama, abraçado ao despertador, que gritava energicamente Acorde, seu filho da puta! já está atrasado pra sair. Como tudo no Circo Voador demora a começar levantei lentamente e resolvi minha vida. Muitas aventuras depois cheguei à Lapa, onde me encontrei com Bolão e Reco-Reco para tomar uma lata de cerveja e então começar o show da banda de abertura.

Lá para as tantas da noite entrou no palco Baia e banda. O som é muito bom e logo eu estou balançando o esqueleto. Ainda com a cabeça cansada, aquele embalo todo me pôs meio zonzo. Após uma das músicas mais animadas me peguei pensando em um zangão meio diferente.

Acordei de um estupor e estão todos alvoroçados. A princesa está prestes a partir e deixar no caminho aquele rastro invisível, com o qual não há argumentação, puro imperativo da natureza. Mas por algum motivo eu não me movo. É o propósito de um zangão desejar e perseguir e tomar a jovem princesa de seus companheiros zangões para torná-la rainha de um novo ciclo.

Enquanto a maratona parte da colméia em direção ao horizonte eu desço para o gramado e pouso em um girassol. Me acomodo vazio de intenções. Em breve um zangão cumprirá o seu papel e o tempo de vida de todos nós se aproximará do fim. Uma brisa mais forte balança a flor sobre a qual estou e me ponho a pensar em qualquer pensamento que ocorra a abelhas quando não estão fazendo nada.

Acordo configurado em uma aberração funcional, lençóis e colcha embolados embaixo de mim, como se eu os estivesse cobrindo do frio, ao invés do contrário. Logo recebo um telefonema confirmatório do meu próximo compromisso. Leio correio e obtenho notícias sobre uma violenta guerra de gangues da noite anterior que deixou um amigo com alguns hematomas. Saio para almoçar.

Há pouca gente neste aniversário onde vim. Após uma meia-dúzia de piadas o aniversariante nota a semelhança entre o meu estilo de prosa e o da moça sentada ao seu lado, ela concorda e ambos riem, num crescendo de comparações que me põe rindo de sem graça, terminado com a observação da própria moça, Ora, deve ser minha alma gêmea! Meu riso se torna amarelo e eu ponho um dedo no ouvido, parando de escutar a conversa alheia.

Me desculpe, mas eu estou evitando a todo custo topar com minha alma gêmea; se eu soubesse que você estaria aqui, não teria vindo.

Me lembrei a cada passada de uma das aberrações servidas naquele rodízio das trevas da moça das Ciências Sociais, do Zangão, daquela lourinha que já quase me escapa totalmente da memória, e de ... de quem ainda não se fez necessário esquecer.

Quando me dei conta estava quase dormindo sobre o teclado e na minha frente vi um artigo enciclopédico sobre as abelhas. Algumas abelhas, curiosamente, não possuem estrutura social própria, e vagam até encontrar uma colméia pré-existente, onde depositam seus ovos, e chegam até mesmo a substituir violentamente a rainha.

Passei o resto do dia ponderando como esse supremo ato de conquista se exibe tão naturalmente em um animal tão simples que não o possa levar a cabo por outro desejo que o de cumprir sua própria natureza de sobreviver e fazer sobreviver sua espécie.

Concluídos todos esses pensamentos, percebi que pensava em chamar ... para sair. Como ... está fora da cidade, segui sozinho para algum lugar movimentado, onde pudesse ouvir um zum-zum-zum.

Baia no Circo Voador

Ontem fomos no show do Baia no Circo Voador.
A banda de abertura, Matraca, era bem boa, com a maior pinta de Barão Vermelho século 21.
O próprio Baia também parece uma versão século 21 do Raul Seixas.
Mas chamar essas bandas de imitação é exagero; o Baia é um poeta muito diferente do Raul Seixas, e Matraca é bem mais progressivo que o Barão Vermelho.

Mais um comparecimento, enfim, de Bolão, Reco-Reco, e Azeitona, ao Circo Voador.

O Baia estava lançando disco solo; o site www.mauriciobaia.com.br tem maiores informações e as MP3s dos três discos do Baia e Rockboys.

Quinta-feira, Dezembro 07, 2006

Alfa et Omega, parte I

Foi uma visão de toda essa importante história que me escorreu para fora da cabeça naquele extático momento.

Acordei no banco de trás do ônibus e, percebendo lentamento, entendi que estava em Copacabana. Rodeado por aquelas formas de pessoas, em um caixote em movimento, me senti mal por ter perdido a oportunidade correta.

Saltei à beira da rua que desembocava no túnel, decidido a percorrer a pé o resto do caminho como que por punição. Me identificava, porém, com aquele bairro; todas as pessoas e lugares pareciam os mesmos que os de uma quadra atrás; não me despertavam nada. Subi a rua entre mulheres de pouca roupa e homens barrigudos sem camisa; alcancei aquela pracinha de topologia curiosa e penetrei no túnel. O zumbido contínuo e homogênego dos carros passantes era inebriante, e foi com grande desagrado que recebi uma interrupção.

-- ôôô, sai da frente! -- gritou alguém na outra margem, à minha esquerda.

Por sobre os carros que passavam percebi uma figura que corria sem parar entre os mendigos que moravam na outra passagem; uma pessoa que não parecia dar a mínima para aqueles que atropelava; estremeci e pensei que deveria ser uma pessoa importante, um líder local, chefe do morro. Voltando finalmente os olhos para o meu caminho, cruzando assim a pista lá embaixo, foi quando eu vi, no canto da pista, próximo a mim; vi um bloco de papel quadriculado, sabia bem para que servia aquilo, estava todo rabiscado, e no centro uma figura...

Tomei-o para mim, não me importei como. Uma barulheira, movimentos rápidos, por fim estava nas minhas mãos.

Atravessando o túnel, com aquele Pergaminho em mãos, dobrei à direita e acompanhei a longa parede do cemitério. O comprido e monótono trajeto ao lado dos mortos não me despertava nada. Passando pelo portão principal chutei um largo prato de barro, cheio até a boca, que me pareceu particularmente favorável.

Por fim alcancei a entrada da vila onde morava. Do outro lado da rua, sentado sobre as plantas em um canteiro, meditava o Eremita; não interrompi sua ponderação sobre Mistérios Insondáveis e entrei. No pátio estavam muitos Cotocos, correndo atrás de uma bola. Quando entrei, pararam; um deles pegou do chão a bola; um outro levanto o braço e sussurrou Não!; peguei um pedregulho que estava por perto. O Cotoco, com a bola debaixo do braço, ensaiou um passo para trás; quis atirar nele o pedregulho, e meu corpo quase obedeceu; houve um estremecimento, e um hiato; quando já estava me aborrecendo a bola foi solta no chão; quis atirar o pedregulho assim mesmo, quando me lembrei do Pergaminho que segurava com a outra mão. Segurei-o firme com as duas mãos, esquecendo o que levava na outra; passei por entre os Cotocos com seus rostos insignificantes, ouvindo suspiros diferentes, até chegar na última casa da esquerda, onde entrei.

-- Estou em casa, mamãe.

O quarto maior estava com a porta fechada. Me dirigi aos fundos e lá fiquei estudando o Pergaminho. Quando não havia jeito de decifrá-lo mais, saí, e a folhinha da cozinha já não dizia mais Agosto; rumei ao encontro do Eremita.

Saindo de casa me deparei com um Cotoco parado no pátio, olhando para dentro de uma das casas. Meu corpo pareceu endurecido, quis me esticar. Andei pesadamente em direção a ele; sua figura tremeu, se voltou para mim, não se moveu; uma mulher surgia pela porta quando levantei minha mão e pensei naquele estranho desenho perturbadoramente cilíndrico ou esférico ou cônico que figurava repetidamente nas páginas do Pergaminho rodeado pelo texto que eu havia decifrado enquanto acertei a cara do Cotoco com a mão pesada. Ponderei a estranha semelhança entre o Artefato e a chaminé metálica da casa à minha frente enquanto uma mulher gritava e ajoelhada no chão e o Cotoco caído olhava uma mão sem manchas de sangue.

Saindo da vila não encontrei o Eremita metidando no canteiro. Segui rua abaixo junto aos carros até dobrar à esquerda em direção à praça. Lá os pivetes que riam e apontavam nojentamente a solene figura do Eremita fugiram com a minha chegada.

O Eremita estava como sempre usando seu chapéu de carcaça de bandolim, cortado pelo comprimento, sem farpas aparentes, e ainda com as cordas, e com sua manopla rosa shocking de brilhantes na mão direita e com sue short de combate cerimonial. Uma nova corda saltava para fora do seu chapéu, sinal de que em breve o mestre atingiria o fim do seu exotérico trabalho; senti ansiedade por obter logo seu conselho. Sentei-me a seus pés.

-- ...louca do Reveillon, vinte porcento... -- repetia ele.
-- Mestre -- interrompi.
-- Promoção... -- continuou impassível, em profundo transe místico.

Esperei. Muitas formas iam e vinham por nós; nenhum Cotoco ou pivete. O vento na pracinha atingia minha pele e, em silêncio, o percebia como um constante espremer.

-- Isso, pra ele, é uma refeição! -- disse espantada uma forma gorda, minha única distração até a luz do mundo começar a diminuir, quando finalmente o Mestre chamou minha atenção.

-- Amigo, uma Bavaria -- disse.
-- Mestre, tenho uma dificuldade. -- respondi.

Olhou para mim franzindo todo o rosto em poderosa inquirição. Estendi para ele o Pergaminho, que agora trazia sempre comigo. Examinou as folhas uma por uma com muita calma. Então elevou os olhos e apontou para o céu.

-- É a número um! -- exclamou; compreendi que se referia ao Artefato, possuindo muitos novos conhecimentos desde minha última Missão.
-- Não compreendo, Mestre -- continuei, humilde.
-- ôôô, Kaiser Boch -- vibrou estranhamente ele, balançando os braços em movimentos aleatórios por todos os lados.

Não compreendi, mas isso não me surpreendeu. Os modos do Eremita eram estranhos e místicos. Ele se levantou e girou e girou balançando os braços como se dispensasse sua bensse por toda a praça, ainda na prece da Kaiser Boch -- nova para mim, na época.

Ah! eu não compreendi; se houvesse compreendido...

-- Mas Mestre!.. -- protestei, ainda sentado no chão, frustrado por minhas limitações.

Parou, então, de girar, e olhando em minha direção, por cima de mim talvez, com um olhar grave, me revelou finalmente.

-- Bem, amigos da Rede Globo, é mais um clássico no Maracanã -- então correu para onde eu não podia olhar, e eu entendi.

Me levantei, determinado. Passei por uma confusão de pivetes tentando recuperar uma bola, dessas de crianças, que estava sob poder do Eremita, que a chutava e corria atrás dela com infinita energia. No caminho para casa, dobrando a esquina, percebi o toldo amarelo do bar que ali ficava, e um cheiro inusitado de moela; não dei atenção ao fato.

No dia seguinte estava de volta ao CEFET.

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

Bukowski

Um dos meus lugares favoritos da atualidade é o Bukowski.
Estivemos lá sábado eu, Pekeno, Gabiru e Joe.
O lugar, como bem disse o pequeno, oferece muitas oportunidades pra você se divertir.

E é tão partinho da minha casa...
Já falei pro povo que pode acampar aqui quando rolar uma noitada!

Sábado, Dezembro 02, 2006

O Retorno do Tempo Livre

A corrida de cem metros rasos acabou, agora resta a maratona de preparar o patch para o GCC.
(Se você for nerd ou curiosa, meu trabalho está aqui.)

Inaugurei o retorno da minha vida boêmia com o excelente show do Cordel do Fogo Encantado no Circo Voador. (Uma das poucas coisas boas em um dia de merda.)