Sábado, Fevereiro 10, 2007

SIVUCA Technologies II

Revisão editorial em 2007-02-12.

Pois então, atualmente no Brasil está se fomando o complô blogueiro chamado SIVUCA, trazendo a você as mais quentes notícias que nenhum jornal está interessado em publicar.

Esta é uma das características essenciais de revolução da Internet: nós podemos publicar.

Eu estava ontem mesmo conversando com um amigo sobre negócios possíveis, disse a ele: Malandro, a Internet nos oferece a possibilidade de investir a única coisa que nós temos de sobra: tempo livre.

Por que produzir na Internet é grátis. Construir o protótipo de um site é grátis. Escrever um esboço de artigo, publicá-lo, corrigí-lo e republicá-lo é grátis. Os custos reais envolvidos são irrisórios.

Claro que fazer uma bela campanha de marketing na Web custará muitas horas de trabalho de profissionais caros; mas esses profissionais não são necessários para a simples propagação de uma informação. Vou falar um pouco sobre o progresso da tecnologia que nos trouxe a essa realidade e para onde esta tecnologia tende a ir.

Do meio para o final da década de 90 usuários de Internet, uma tecnologia ainda nova no Brasil, viram acontecer a Guerra dos Browsers. A Web era jovem e a forma do seu conteúdo ainda estava na sua infância. A batalha entre a Microsoft e a Netscape incluía táticas para prender usuários -- extensões privadas para esta forma. Usuários freqüentemente escolhiam um lado e a Web parecia caminhar para uma grande divisão, por força do interesse comercial.

A Guerra dos Browsers foi eventualmente vencida pela Microsoft mas o resultado da Guerra dos Formatos foi vencida por um terceiro competidor: o World Wide Web Consortium.

Por volta do início da Guerra dos Browsers o W3C foi criado para concentrar os esforços que finalmente padronizaram o Esperanto da Web: o HTML, ou HyperText Markup Language.

Com a formação do novo padrão no final de 1997 a Internet ganhou finalmente seu idioma oficial -- e a certeza de que, não importa que empresa esteja dominando o mercado com seu browser, nós ainda assim seremos capazes de navegar. Os esforços do W3C então, e ainda hoje, fomentam este novo veículo da democracia mundial.

Com a progressão tecnológica da forma da Internet novos experimentos surgiram. Informação em forma bem definida é tudo o que um computador precisa para transformar e automatizar. Esta possibilidade foi eventualmente aproveitada no então crescente movimento dos blogs.

Uma jogada simples e totalmente revolucionária: oferecer a você, usuário, uma caixinha de texto não muito diferente do Notepad e um botão Publicar. Nada de HTML pra você, malandro. O HTML desaparece como o mero detalhe tecnológico que ele realmente é.

De modo que agora pessoas que não fazem a menor idéia do que é HTML podem colocar suas idéias online sem a ajuda de terceiros.

E então surgiu a Blogosfera.

Nossa história é cheia de pequenos detalhes, pequenas novas técnicas. Eu vejo na Internet a nova democracia mundial porque informação é poder e o poder deve estar distribuído. Com a Internet existem condições reais de distribuir a informação a todos. E redistribuí-la, e transformá-la, digerí-la.

Informação online é informação referenciável. Era natural que os blogueiros interagissem como membros de um mesmo espaço, agindo na forma de artigos e reagindo na forma de novos artigos sobre os artigos anteriores. A tecnologia novamente tornou isso possível, tornou isso viável, a custo irrisório (monetário ou mental).

Qualquer boa ferramenta de publicação hoje gera automaticamente uma URI única para cada artigo. Com esta URI é possível fazer uma referência precisa àquele artigo e portanto se torna simples fazer uma referência formal em uma resposta ou comentário; afinal, a Web é Hipertexto, e ligações como esta estão a um click de distância da sua tela.

Outra característica comum aos blogs de hoje são os sistemas de comentários. Toda boa ferramenta de publicação oferece um. Os sistemas de comentário trazem para perto do artigo a opinião do leitor e de repente o artigo publicado se torna propriedade do público, que poderá corrigí-lo, expandí-lo, criticá-lo.

Então a Web se torna realmente uma teia com infinitos entrecruzamentos entre fatos e opiniões, a minha voz e a sua, sobre uma infraestrutura tecnológica livre para todos, propriedade de ninguém. Não é preciso pagar royalties para utilizar os padrões produzidos pelo W3C.

Esta visão da Web extrapolada ao futuro nos mostra a Web Semântica, uma grande teia de informação com anotações sobre Significado suficientes para permitir aos nossos computadores, essas excelentes máquinas de calcular, a agregar, relacionar e categorizar a informação que é relevante para nós.

A Web Semântica está chegando. Ela está aqui hoje. A nossa história tecnológica não acaba nos sistemas comentários. HTML, o Esperanto da Internet, tem irmãos. Em 1999 o W3C lançou suas primeiras Recomendações sobre o RDF, o Resource Description Framework. Se o HTML é o idioma dos nativos da Internet, o RDF descreve sua metafísica subjacente.

Com o RDF nós podemos descrever as coisas; além de dizê-las, dizer o que elas significam; e então os computadores começam a nos ajudar a ler.

A profusão de informação em todas as publicações online, blogs, jornais, e outras fontes aleatórias, já está se tornando cada vez mais difícil de gerenciar. Visitar cada uma dessas fontes para se manter atualizado é uma tarefa que cada vez mais custa tempo. Em 2000 surgiu uma aplicação do RDF para resolver este problema, o RSS, ou RDF Site Summary.

Um feed RSS descreve o estado atual do seu fluxo de artigos, e feeds RSS foram inventados com o propósito explícito de serem combinados, ou agregados. Usando um feed aggregator é possível obter uma nova visão de todas as suas fontes costumeiras de informação. Eu, por exemplo, tenho um feed aggregator configurado com os participantes do SIVUCA que eu leio.


Este é o início da Web semântica. Atualmente é possível encontrar feeds RSS por toda parte, de todo tipo de fonte; grupos de discussão, noticiários sobre animação japonesa, a progressão dos novos padrões W3C, blogs. Como nós estamos publicando tudo usando ferramentas automatizadas, nossos feeds são produzidos automaticamente, e como conseqüência nós podemos facilmente oferecer feeds de qualquer coisa.

O entrecruzamento entre os participantes da Blogosfera aumenta e aumenta. E aumenta mais.

Em 2002 uma das empresas que comercializa software de publicação automatizada implementou em seu produto, o MovableType, uma nova característica chamada Trackback. Um blog suportando Trackback é capaz de mostrar uma lista similar à lista de comentários, mas com posts em outros blogs que façam referência a este.

Se eu leio o seu artigo, acho interessante, e escrevo um comentário no meu blog, o seu artigo mostrará lá embaixo, Pedro escreveu um comentário, siga este link para saber o que ele tem a dizer.

A comunidade ainda está, atualmente, discutindo a tecnologia de Trackback e variantes, para controlar o perigo do SPAM e outras vulnerabilidades. Um alternativa é a utilização de ferramentas de busca, como o Google, para popular a lista de Trackback. Essa característica está no serviço Blogger com o nome de Backlinks.

Quando finalmente nos decidirmos por um protocolo de feedback o grau de entrecruzamento da informação na Web dará um novo passo para o futuro.

O que mais está à nossa espera?
feeds RSS do Diário Oficial?
Integração de arquivos fotográficos, e outras formas de mídia, ao nosso entrecruzamento de informação?
Novas formas, mais específicas, de anotar nossos artigos ontologicamente, e agregar a informação por critérios semânticos?
A Web Semântica está chegando e ela é nossa.

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