O Que Fazer
Então esse sujeito engraçadinho resolveu atiçar uma discussão social sobre o impacto dos valores de beleza propondo um imposto especial para os bonitos.
Ao final do artigo ele dá aquele conselho insosso das pessoas "de bem com a vida":
Por fim, Otálora dá um conselho a seus "pares" feios: "Eu me reconciliei comigo mesmo quando me olhei no espelho, parei de me julgar e comecei a gostar de mim mesmo. E, às dificuldades, respondi com bom humor."
Esse conselho é uma droga. A idéia é até boa -- implicar com a sociedade, provocar pensamentos fora do eixo. Mas o conselho continua uma droga.
Uma digressão.
Treinar kung fu, treinar ioga, treinar magia, treinar a habilidade-de-ser-sábio -- isso é o que todos os autores de livros de auto-ajuda e conselheiros do "de bem com a vida" se propõe a fazer. Mas, da mesma forma como os sacais autores sobre ioga, essas pessoas falham miseravelmente em dizer a você o que fazer; elas dizem apenas o que acontece no final.
Tome, por exemplo, este "parei de me julgar". Julgar-se, julgar-se mal, é exatamente o que faz a pessoa com baixa auto-estima. Parar de julgar-se mal não é o método, é o objetivo. Mas qual é o método? Como se faz para parar de julgar a si mesmo?
Um outro exemplo, típico, um sujeito que diz a outro sujeito, este viciado em cigarros: "parar de fumar é só querer". E daí? O problema do viciado não é o objeto mas a vontade, a compulsão. Como uma pessoa faz parar querer o oposto do que quer -- ou deixar de querer o que quer?
"Começar a gostar de si mesmo" não é o início, é o fim. Como o adepto falando a Adonai diz: esperar por você é o fim, não o início. O que fazer para chegar a este fim é o que falta anunciar.
Este é o critério necessário e suficiente para detectar o sábio-charlatão da espécie mais pobre: ele sempre declara o resultado, nunca declara o método.

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