Outro dia eu disse pra um colega meu: Cara, eu ando tão estressado, que estou lendo Kant pra relaxar.
Pois bem.
Ontem, saindo da CertiSign, estressado, entrei no metrô lendo Kant, pra relaxar. Quando me dei conta estava na Uruguaiana. Beleza. Peguei o metrô de volta. Quando passei pela Cinelândia saltei do metrô e, andando em direção à escada rolante, me lembrei que eu não estou indo pro trabalho, mas voltando do trabalho. Certo. Entrei no metrô outra vez. Passam-se várias estações e todo o problema da possibilidade da ciência da natureza. O trem pára nessa estação onde eu vejo uma saída dizendo "Praia de Botafogo", fechada com aquele cavalete do metrô. Eu salto; andando em direção à outra saída, percebo que eu estou no Flamengo. Espero. Pego o metrô pela última vez e finalmente chego em casa.
Hoje, saio da UERJ; vou para o lado mais distante da estação para evitar uma horda de alunos de escola pública que certamente irão sobrelotar o vagão. Salto na Estácio. Espero o trem, lendo sobre a razão transcendental. Não consegui acompanhar direito essa parte, preciso ler outra vez. Então o trem pára e eu leio: "Central". Penso "Ih, Central!" e salto do trem. Do lado de fora, penso, "Ué, e daí?" e entro novamente no mesmo vagão.