Quadrinhos mainstream são chatos.
Quadrinhos na web nunca são mainstream.
É impressionante a variedade, e a liberdade, com que correm as histórias de webcomics, em todo tipo e nível de qualidade.
Um dos aspectos que mais me impressiona, e agrada!, nos webcomics são os romances.
Alguns, do tipo one-shot, contam breves histórias que são quase como poemas visuais.
Copper e seu cão Fred têm aventuras que exploram um aspecto sonhador, às vezes um pouco melancólico, às vezes um pouco nostálgico, mas sempre aspirando ao futuro. Os temas parecem explorar aspectos universais da experiência humana.
Em Bubbles, Copper sonha com Ela.
Em Ballads, Copper canta uma serenata para Ela.
Em xkcd lemos sobre ciência e tecnologia; lemos com sarcasmo e ironia como essas coisas cruzam a vida humana; lemos também como a seriedade da vida adulta cruza as fantasias e as aventuras.
Em Grownups, Ela e Ele exploram o que é ser adulto.
Em Angular Momentum o coração de uma Cientista expressa a paixão a seu modo.
Em Useless, a exploração matemática encontra seus limites naturais.
Dresden Codak nos mostra visões fantásticas de um futuro próximo, onde homem e tecnologia se aproximam cada vez mais; a protagonista, uma mente científica aguçada, não está bem ajustada a nada mais.
Kimiko é introvertida demais para lidar com Ele, em Rule 110.
Kimiko é introvertida demais para lidar com Ele, em Anagoge Starring Tiny Carl Jung.
As séries propriamente ditas, com uma história encadeada e um plot claro, oferecem oportunidades mais profundas para explorar os romances; dessas é preciso realmente selecionar exemplos específicos, já que os melhores são de séries cujo tema é o romance.
Talvez seja uma boa oportunidade para explorar os tropeços e as histórias mais tristes; uma
liberdade que os quadrinhos não-mainstream têm, a de contar uma história que não é feliz.
Como essas histórias são seriadas, cuidado com os spoilers!
Avalon High é uma série sobre a adolescência, cheia de romances plácidos e exemplos da vida de jovens no Canadá.
Ceilidh é otimista demais para o seu próprio bem, em What Was Meant to Be, o início do fim da história. Leia o primeiro com atenção depois continue lendo.
Megatokyo é uma profunda história sobre relacionamentos humanos, entre as várias modalidades de auto-estima de um otaku às várias modalidades de alucinação de um freak dos video-games.
Nanasawa Kimiko é uma aspirante a seiyū (uma atriz de voz) que inadvertidamente atrai a atenção de uma legião de fãs. Piro é um sujeito tímido que a conhece por acaso e passa a se envolver com ela por intermédio de uma amiga em comum.
Após avisá-la do perigo iminente, porque a legião de fãs descobriu seu emprego de garçonete, Piro resgata Kimiko de um restaurante lotado, "desabilitando" câmeras de vídeo e fotográficas posicionadas para tirar fotos... comprometedores.
Nervosa, Kimiko pisa seriamente na bola na sequência que termina o capítulo 8: cowards, cute frills, a corrupted save e deserved.
Hayasaka Erika é uma ex-seiyū muito famosa no Japão, que um dia comandou legiões de fãs, e cuja fama eventualmente a afastou do homem de quem gostava. Largo é um alucinado jogador de video-games, vivendo sob o código de honra do guerreiro dos RPGs e dos first-person shooters.
Após derrotar uma legião de zumbis otaku perseguindo Erika, Largo é avisado por Junpei sobre o perigo iminente apresentado por uma Garota Mágica, e decide que sua missão ainda não terminou. Uma cena um tanto cômica segue.
Então Erika pisa seriamente na bola; a minha sequência favorita do capítulo 6: honor much safer, such a serious young man, losing sense of feeling, damage was taken, ice cubes e crazy talk.
Essas duas pequenas trilhas da história tiveram grande impacto em mim quando li, talvez porque nós estamos mais acostumados a ler sobre homens fazendo merda em relacionamentos que mulheres nesse tipo de história -- e Megatokyo é claramente shōnen manga.
De certa forma, uma história romântica é uma história sobre erros. Ela emociona porque nós nos identificamos com as incertezas, as incapacidades, e a pura falta de sorte dos personagens principais.
Explorar toda a variedade de erros que humanos cometem é difícil para quadrinhos mainstream e fácil para o que resta, porque a natureza humana é sombria praticamente por definição -- nossas emoções mais íntimas estão "no escuro", onde ninguém pode ver.
Em Questionable Content nós eventualmente chegamos ao fim da tensão sexual -- coisa que seriados americanos nunca têm coragem de fazer!
Porém, Marten, após sua confissão, não ouve uma história legal, em The Talk. [São dez partes.]
Poucos dias depois, Dora makes her move, começando em A Monologue. [São umas dez partes, mais ou menos.]
Pobre Faye.
Sinfest é um dos melhores exemplos de união do sombrio com o humorístico na web. É tão prolífico que é difícil achar -- ou mesmo lembrar! -- bons exemplos.
Tome o Slick, por exemplo. Ele está sempre no limiar dos pensamentos obscuros e dos desejos mais simples. Quando ele finalmente experimenta uma alternativa a pura força das circunstâncias vem para atrapalhar. Observe Slick sendo sacaneado pela expectativa do status quo em Intervention 5.
Já estou a alguns dias bolando essa compilação.
Em outra oportunidade eu continuo.