Domingo, Junho 29, 2008

Teenage Mutant Ninja Turtles

Há algo de errado comigo? Ninguém achou esse filme irado. Acabei de ver, achei irado. Alguma coisa muito estranha aconteceu com o meu sangue nos últimos anos, está difícil achar alguma coisa ruim...

Terça-feira, Junho 17, 2008

Schopenhauer já sabia?

A muito tempo atrás, em uma discussão familiar sobre um imperativo qualquer, me ocorreu a dificuldade em diferenciar duas frases: "eu não quero", e "eu não quero".

Considere que alguém pergunte: você quer ir comer uma pizza?

Há um estado em que você pensa "putz, tudo menos pizza", no qual a resposta é: não.
Há um estado em que você pensa "sei lá, tanto faz", no qual a resposta é: não.

Na época, pensei que a diferença pudesse ser conduzida na ênfase:
eu não quero.
eu não quero.

Depois. pensei que um truque de entonação acrescentaria o significado com mais força:
eu não quero.
eu não... quero.

Não consegui fazer melhor sem acrescentar mais palavras.
É natural que algumas coisas não se expresse diretamente com um vocabulário finito qualquer; em inglês dizer "foi o azar" não é possível de maneira direta, porque não existe palavra em inglês para "azar".

Pois bem; em português eu acho que não há expressão que naturalmente signifique a ausência de vontade. Além disso, provavelmente por causa disso, assume-se constantemente no discurso uma vontade assertiva no outro; é uma dificuldade enorme comunicar a outra pessoa que você está ausente de vontade.

Outros tipos de ausência também são difíceis de comunicar. É uma tarefa diplomática considerável comunicar a uma pessoa que, apesar de sua comida não ser ruim, você na verdade não gostou dela. É praticamente inconcebível que uma pessoa possa dizer "eu não gostei" ao mesmo tempo que não acha a coisa ruim.

É provável que essa dificuldade seja compartilhada por todos os falantes de línguas derivadas do Latim, filhos da cultura européia. Os vazios são o forte dos orientais, e não dos ocidentais.

Pois bem. Com o passar do tempo, a expressão da vontade ganhou na minha mente um modelo em três partes; três idéias que se confundem sempre que se está falando sobre um imperativo qualquer, quando se está falando daquilo que se pretende fazer: eu desejo, eu necessito, eu posso.

Eu não tenho qualquer teoria sobre como estas três expressões seriam determinavelmente os três vetores que completamente descrevem o espaço da vontade humana; apenas me parece uma maneira curiosamente conveniente de modelar certos problemas da expressão. Situações em que se poderia encontrar o seguinte discurso:

-- Mas porque você está fazendo isso? Você não precisa fazer isso!
-- Eu não estou fazendo porque preciso, estou fazendo porque quero.

(Vou fazer um esforço para não tabular associações místicas entre essas três idéias e toda a profusão de três que há nos livros esotéricos.)

O modelo se baseia no significado natural dos três verbos: desejar, necessitar e poder. Todos esses três verbos comunicam um imperativo. É possível ordená-los por uma relação de força biológica; aquilo que você necessita impõe mais que aquilo que você meramente pode. Não acredito que essa ordenação seja mais importante que qualquer outra, exatamente porque somos homo sapiens organizados socialmente em uma civilização.

Uma ordenação como essas colocaria eu posso em um ápice da civilização; o momento em que os imperativos do corpo são postos em cheque com tal facilidade que o imperativo da mente se torna abordável. Dicotomias mente-corpo me interessam pouco, porém.

Meu interesse em um tal modelo surgiu através de situações em que a minha própria posição era incompreendida. Percebi que, pensando desta forma, eu era capaz de entender a mim mesmo posicionado principalmente em um dos três pilares enquanto o outro me procurava em algum dos outros dois.

É importante notar que o modelo não distingue as coisas que você quer entre coisas que você necessita, deseja ou pode ter; ele distingue as ações que você toma entre ações que você necessita tomar, ações que você deseja tomar e ações que você pode tomar. A diferença é sutil e ocorre entre a idéia de um modelo estrutural da idéi de um modelo comportamental.

Não sei se existe um modelo equivalente com quatro pilares; não consigo encontrar um verbo que seja fundamentalmente diferente desses três, nesse contexto.

Estou cansado, continuo depois.